segunda-feira, 16 de julho de 2012
Buenos Aires - Argentina
Pode ser sua primeira viagem a Buenos Aires. Ou você já pode ter ido uma dezena de vezes. O certo é que não há como não se apaixonar pela capital argentina. Seus cafés, suas centenas de praças, seus prédios antigos... Totalmente plana, com quarteirões de exatos 100 metros, chamados pelos portenhos de manzanas, a cidade é um convite irresistível para ser percorrida a pé. E o melhor: com a nossa moeda valorizada em relação à deles – a viagem sai por um preço bem camarada. Como boa parte dos brasileiros tem debutado no mundo a partir de Buenos Aires, montamos três tipos de roteiros, de acordo com o tempo que o viajante terá, para que ele possa se esbaldar em nosso vizinho hermoso e voltar cheio de histórias, lembranças e sacolas.
2 dias: Bate e volta com estilo
Dá para aproveitar Buenos Aires em apenas dois dias? A resposta é sim, é possível. Geralmente os turistas que viajam de cruzeiro tem esse tempo para ficar na capital argentina. O terminal de cruzeiros Benito Quinquela Martín é movimentado de novembro até abril, época em que os transatlânticos chegam à cidade. Com a estadia curta, é priorizar e investir no básico. Um bom ponto de partida é o microcento, o coração da cidade. A Avenida 9 de Julio, uma das mais largas do mundo, corta uma série de cartões-postais. O imponente Obelisco com seus 67 metros de altura, no cruzamento com a Avenida Corrientes, pode servir de ponto de referência. Pertinho dali fica a Plaza de Mayo rodeada por edifícios históricos. Mas os olhos se voltam mesmo para a majestosa Casa Rosada, sede do governo argentino e testemunha da história do país.
Nas sacadas do palácio, o ex-presidente Juan Domingo Perón, ao lado da esposa Evita, discursava para milhares de trabalhadores na década de 40. Para lá também rumaram milhares de argentinos nos panelaços no início dos anos 2000 para protestar contra a crise econômica. E todas as quintas-feiras à tarde, as Mães e Avós da Plaza de Mayo, com seus lenços brancos na cabeça, percorrem o local em busca de notícias dos familiares desaparecidos durante a ditadura militar.
O local é aberto para visitas gratuitas conduzidas pelos granaderos, a guarda do palácio, vestidos impecavelmente com seus uniformes azul-marinho. Os salões são decorados com belos vitrais, colunas de mármore, enormes lustres e um pátio interno arborizado com fontes d’água. E dá até para xeretar na sala da presidente. À noite, a fachada ganha uma iluminação toda especial, que realça ainda mais o tom cor-de-rosa do prédio.
Se a fome bater, nada melhor que um pit stop para um café. Pois aproveite para conhecer o Tortoni, o mais antigo da cidade. As mesas de carvalho com tampo de mármore e as cadeiras de couro são as mesmas há mais de 150 anos. E já foram ocupadas pela boemia argentina, como o escritor Jorge Luis Borges e o cantor Carlos Gardel, que ganharam bonecos de cera. Fotos e telas de artistas forram as antigas paredes e dividem a atenção com os bustos em bronze. Peça o submarino, leite quente com barrinhas de chocolate, e os tradicionais churros. À noite, apresentações de tango acontecem no subsolo.
Já o bairro que melhor expressa a elegância argentina é a Recoleta, com seus suntuosos prédios em estilo belle époque circundados por praças bem cuidadas. Suas ruas reúnem hotéis sofisticados e lojas de grife internacionais. Na Avenida Alvear, a arquitetura dos palacetes dá um acentuado toque parisiense. Na esquina com a Calle Aroyo fica o Palácio Pereda, uma antiga mansão que abriga a embaixada brasileira.
E até o Cemitério da Recoleta se tornou atração turística. O local abriga túmulos de personalidades como presidentes, artistas e cientistas, mas o mais visitado é, sem dúvida, o de Eva Perón, sempre enfeitado com flores e bilhetinhos.
Não deixe de visitar a Plaza Naciones Unidas, onde a maior atração é a Floralis Genérica, uma escultura feita de aço inoxidável e alumínio, localizada dentro de um espelho d’água. Mesmo com seus 23 metros de altura e 18 toneladas, a obra de arte simula a delicadeza dos movimentos de uma flor. Suas pétalas se abrem vagarosamente durante o dia e fecham quando anoitece.
Reserve o segundo dia para visitar o bairro La Boca. O Caminito, uma ruela de menos de 100 metros, se tornou um dos símbolos da cidade. Suas casinhas de madeira e zinco, pintadas em cores berrantes, deram vida ao bairro decadente. Iniciativa de um grupo de artistas na década de 50, que usou sobras de tintas dos barcos que atracavam no porto. Pelas ruas, artesãos expõem seus quadros, lojinhas vendem souvenires e estátuas caricatas de cera de Evita e Maradona enfeitam as varandas. Com certeza, você será abordado por um dos casais que dançam tango para tirar uma foto. E vai ser difícil resistir.
Pertinho dali, o destino é um só: La Bombonera, o estádio do Boca Juniors. Apesar do táxi ser uma pechincha na capital, deixe a preguiça de lado e ande poucos quarteirões até a arena.
Ao chegar, comece o passeio pelo museu multimídia La Pasión Boquense, que fica bem abaixo das arquibancadas. A história do clube é contada nas fotos dos jogadores, nos troféus conquistados e nos modelos de camisas. E, claro, Maradona, ganhou uma estátua e um mural gigantesco onde aparece driblando com a pelota. No cinema em formato de uma grande bola de futebol, seis telas projetam em 360º a sensação de jogar uma partida de futebol em La Bombonera, embalado pelos gritos dos fanáticos torcedores “y dalebo, y dalebooo”... É de arrepiar.
Já para ficar pertinho do gramado, faça um tour guiado pelos vestiários e arquibancadas que parecem despencar. Melhor, só assistindo a uma partida do Boca – e de preferência, contra o arquirrival River Plate.
Mas a terra do alfajor e do tango também sabe se reinventar. Durante décadas, os velhos armazéns de Puerto Madero permaneceram abandonados. Há pouco mais de 20 anos, um projeto de revitalização da cidade deu um upgrade ao bairro, que se tornou bem mais contemporâneo. Modernos arranha-céus envidraçados, hotéis cinco estrelas e restaurantes de alta gastronomia ocupam suas ruas, que ganharam nomes de importantes mulheres argentinas.
A Puente de la Mujer, uma enorme estrutura em aço de 160 metros, se tornou não apenas um símbolo do local, mas de toda a cidade. Um casal dançando tango seria a inspiração para o projeto, de autoria do renomado arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Exclusiva para pedestres, ela gira para a passagem das embarcações pelo Rio da Prata.
Passear pelo calçadão do Puerto Madero à noite é uma delícia. Aproveite que está por ali para experimentar o tão aclamado churrasco argentino. O Siga la Vaca se tornou sinônimo de restaurante para os viajantes brasileiros. Muitos torcem o nariz por achá-lo “turístico demais”. Ele é mesmo, mas a boa comida e o preço bacana - churrasco à vontade, incluindo uma bebida e sobremesa sai por menos de AR$ 70 (R$ 30) - explicam o sucesso.
Apesar do tempo curto, sempre sobra fôlego para as compras e em se tratando de Buenos Aires, o lugar para isso é a Calle Florida. Sem o charme de outrora, a via chega a lembrar as ruas de comércio popular de outras grandes cidades. Artistas de ruas dão passos de tango e chamam a atenção de quem passa. Lojas como Puma, Zara e Falabella, maior rede de departamento do país, entre tantas outras, garantem compras vantajosas na Florida. E fica a dica: atenção redobrada com os batedores de carteira.
Por lá, aproveite para ir à Galeria Pacífico, shopping que ocupa um quarteirão inteiro. O prédio em estilo francês de 1889 tem um lindo teto abobadado forrado de pinturas. O quiosque da marca Havanna costuma ser concorrido pelos turistas – afinal todos querem levar o autêntico alfajor argentino para casa.
3 dias: O lado mais cool da capital
Com um dia a mais no roteiro, você ganha um respiro e pode investir em atrações em outras bandas. Três dias e duas noites é o pacote clássico vendido no Brasil. Algo como de sexta a domingo. Faz sentido, Buenos Aires, está logo ali, distante duas horas e meia de avião.
Se os dois primeiros dias ficaram por conta do roteiro básico, no terceiro invista em algo mais despojado. Cheios de personalidade, dois dos bairros mais antigos – e pitorescos – da cidade merecem uma demorada visita. San Telmo transpira história nas ruas de paralelepípedos e nos antigos sobrados com fachadas decoradas com o característico “fileteado” portenho, os finos desenhos em cores fortes com flores. Seus casarões foram as moradias da aristocracia até o século 19, quando uma epidemia de febre amarela fez os moradores se mudarem para a Recoleta.
A ligação com o passado fica ainda mais evidente na tradicional feirinha de antiguidade que há 40 anos ocupa as ruas em torno da Plaza Dorrego aos domingos. É uma boa espiar os curiosos badulaques das barraquinhas, onde se encontra de tudo: vitrolas com discos de vinil, relógios de bolso, chaleiras de prata, vasos de porcelanas e roupas de época.
Artistas de rua pipocam em cada esquina. Dançarinos de tango rodopiam pelo ar, jovens músicos de cabelos compridos e tênis formam pequenas orquestras de tango. Mais à frente, percussionistas tocam o candombe em seus tambores, ritmo trazido pelos escravos africanos e que lembra o samba. Senhores vestidos de terno e chapéu, à la Carlos Gardel, choram seus lamentos no violão. E ainda mímicos, mágicos e estátuas-vivas disputam a atenção dos turistas.
Na esquina das ruas Defensa e Chile, uma estátua ganhou o status de mais nova atração do bairro. A famosa personagem dos quadrinhos Mafalda está sentada em um banco de praça, com um leve sorriso no rosto e as mãos sobre os joelhos. A poucos metros dali ficava o prédio onde a garotinha questionadora, que amava os Beatles e odiava sopa, gostava de observar as pessoas.
Outro bairro que mudou bastante foi Palermo, que é o maior da cidade. Galpões e antigas casas deram lugar a hotéis, restaurantes, ateliês e lojinhas descoladas. Ele foi informalmente dividido em dois: Palermo Chico e Viejo – e esse último subdivido em Hollywood e Soho. E é no Soho que se concentra o lado mais boêmio. Em volta da Plaza Julio Cortázar, esparram-se bares que lotam nos fins de semana à noite, para uma cerveja de um litro.
Comer bem por ali é quase uma obrigação. Se quer continuar na parrilla, o Don Julio é a pedida. Nesse restaurante, o ambiente é familiar e as porções são generosas. O suculento bife ancho é servido ao punto. Já no La Cabrera, o carro-chefe é o ojo de bife, acompanhado por porções de purê de batatas, abóboras, champignons e tomates secos. As sobremesas são de dar água na boca, como o volcán de chocolate, que lembra bastante o petit gateau. Uma dica: faça reserva e vá preparado para enfrentar a fila de espera, que é amenizada com espumantes e petiscos como cortesia da casa.
Não vá embora do Palermo sem ir ao Parque Tres de Febrero, mais conhecido como Bosques de Palermo. Com mais de 80 hectares de área verde, esse pulmão de Buenos Aires atrai os moradores para caminhar, andar de bicicleta e fazer um piquenique. Já as crianças se divertem mesmo nos pedalinhos e nos dois lagos artificiais. Mas o cantinho mais charmoso é o Rosedal, encravado no coração do parque. Mais de dez mil rosas florescem na primavera, em uma explosão de cores e aromas. Faça como os portenhos e estenda uma toalha na grama enquanto contempla esse belo quadro natural e toma tranquilamente um mate. Mesmo que seja verão.
5 dias: cultura e compras
Um, dois, três, quatro, cinco! Com este tempo dá para fazer tudo com mais calma. Aproveite para voltar ao Puerto Madero para visitar a Fragata Sarmiento, ancorada no dique 3. Depois de 37 viagens ao redor do mundo, a embarcação do século 19 foi transformada em um museu flutuante. Impecável, conserva objetos como canhões, escafandros, timões, mapas e até uma bandeira argentina feita em Xangai, que tem o sol bordado com os olhos puxados. Na proa, casais não resistem e imitam a cena clássica imortalizada por Leonardo di Caprio e Kate Winslet em Titanic.
Programe-se para ir ao cassino flutuante do Puerto Madero. Instalado nos três andares do barco Estrella de La Fortuna, uma réplica das antigas embarcações que navegavam pelo Rio Mississipi, a decoração conta com muitas cores, espelhos e luzes. A jogatina nos caça-níqueis, mesas para jogos de pôquer, dados e blackjack rola 24 horas.
Não deixe de fora o Malba, o Museu de Arte Latino Americana de Buenos Artes. Com fachada modernosa, o museu reúne mais de 200 obras de artistas latino-americanos como o brasileiro Cândido Portinari, a mexicana Frida Kahlo e o argentino Xul Solar. Mas a menina dos olhos é a tela O Abaporu, de Tarsila do Amaral, o quadro brasileiro mais caro já vendido no mercado internacional. O espaço também promove exposições de arte contemporânea além de atividades para crianças.
Não menos importante, o Teatro Colón é outro ponto a se visitar na capital. Depois de um longo restauro, o espaço reabriu ainda mais reluzente. Na visita guiada, em espanhol ou português, a guia mostra os delicados afrescos nas paredes descobertos depois de uma intensa pesquisa, tudo para deixar igualzinho à época de sua inauguração em 1908. Logo na entrada, repare no caleidoscópio dos vitrais da abóbada, na escadaria de mármore e nas milhares de pecinhas que compõem o mosaico do piso. A sala principal, em formato de ferradura e com sete andares de camarotes, é de cair o queixo. No teto, um enorme lustre de cristal de Murano é rodeado por pinturas. E uma curiosidade: para deixar as 2.500 poltronas mais confortáveis foram utilizadas crinas de cavalo. Artistas do quilate de Maria Callas, Enrico Caruso e Luciano Pavarotti já soltaram o belo vozeirão no palco.
Na última noite na cidade, entregue-se a um dos programas mais tradicionais, os espetáculos de tango. Boa parte das casas oferece shows acompanhados de jantar e ainda abrem a pista para quem estiver interessado em arriscar uns passos. Pela cidade, há opções para todos os gostos, de apresentações intimistas a megaproduções – e de preços também. Confira no box algumas sugestões de casas de tango onde o espetáculo é garantido.
Reserve o último dia para as compras. Verdade seja dita: os brasileiros amam Buenos Aires pelo charme, pela história, pela comida, mas, principalmente, pelas compras. Enquanto o real estiver valorizado em relação ao peso argentino, essa história de amor não tem prazo para terminar. Boa parte dos outlets vende roupas de coleções passadas, mas é possível encontrar peças atuais também. Vale ficar atento ao tamanho e conferir se elas apresentam algum defeito. O bairro de Villa Crespo, colado ao Palermo, concentra pontas de estoque de roupas e sapatos, com valores bem menores do que as lojas da Florida. Por lá, você encontra os outlets da Lacoste, Brooksfield, Puma, da marca argentina Rapsódia e a Murilo 666, especializada em produtos feitos de couro. No quadro no final da matéria, você confere todos os endereços.
Uma dica: veja se a vitrine da loja tem um adesivo TaxFree. Nesse caso, você pode pedir o cheque de reembolso do imposto sobre os produtos locais. No aeroporto, antes de voltar ao Brasil, vá até o guichê da TaxFree e receba o pagamento, que pode ser feito em dólares ou depósito em sua conta corrente. De resto, é só aproveitar, rechear a mala e já começar a pensar quando voltará à capital argentina. Afinal, é praticamente impossível resistir a Buenos Aires, onde passado e presente convivem de forma tão apaixonante como em um tango. Ainda bem que estamos tão pertinho.
Saiba onde encontrar os principais outlets da cidade
Lacoste & Pinguin Outlet
As roupas de coleções passadas são vendidas a preços pra lá de camaradas. Há peças para homens e mulheres, de casacos e coletes de lã a camisas e vestidos. CalleGurruchaga, 836, Villa Crespo.
Brooksfield Outlet
Os preços das camisas, camisetas, jeans e bermudas da estilosa marca italiana são bem convidativos – e bem mais baratos se comparados com as lojas brasileiras. CalleGurruchaga, 984, Villa Crespo.
Puma Outlet
Você vai até se sentir em um saldão na loja de artigos esportivos. Roupas, tênis, bolsas e mochilas com preços que valem a pena. Calle Gurruchaga, 806, Villa Crespo, latam.puma.com
Rapsodia Outlet
A loja feminina argentina tem roupas em estilo hippie chic, mas com um toque romântico. No outlet, o desconto chega a 70%. Calle Aguirre, 729, Villa Crespo, rapsodia.com
Murillo 666
Os quarteirões da Calle Murillo, entre os números 600 e 700, concentra lojas que vendem produtos de couro a preços tentadores. A maior delas, a 666, vende jaquetas masculinas e femininas direto da fábrica.
Converse Store
Os aficionados pelos tênis vão enlouquecer na mega loja com centenas de modelos. A novidade é que o cliente também pode customizar seu próprio par, deixando do seu jeitinho. De quebra, também há roupas e acessórios.
Fonte: Viajar
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